sábado, 15 de dezembro de 2012

Saudade da Sobremesa na geladeira

Onde está a sobremesa na geladeira?
Quem comeu?
         Na minha infância, sempre havia uma sobremesa me esperando. Acho que eu só almoçava pela sobremesa. Só passei de ano pela sobremesa. Era sagrado. Era profano.
         Ou um sagu. Ou um arroz de leite. ou uma ambrosia. Ou o pai de todos, o pudim de leite.
         Soprávamos o doce para esfriar rápido, como quem abana as unhas depois do esmalte.
         Com o pudim, o cheiro do gelo vinha a ser outro. o cheiro da cozinha vinha a ser outro. O cheiro de nossa alegria vinha a ser outro.
         O perfume adocicado chamava o nosso olfato a pecar.
         Abríamos a geladeira como quem recebia a namorada.
         Lutávamos para comer um pedacinho a mais do que os irmãos. A mão direita tinha o molde de uma espátula para ser rápida e não atrair concorrência.
         Gemíamos rindo, a língua se maravilhava, os dentes se deliciavam, a fatia derretia no céu da boca. Pais pareciam eternos. Tios pareciam afortunados.
         Cada um aprendia a receita de um doce para se casar. E de um doce para se separar.
         A sobremesa acontecia de segunda a sexta feira. Nem lembro de ter sido gordo devida a minha amizade com o açucar e as festas das claras. O mundo melhorou de saúde ou ficou neurótico?
         O sábado e o domingo era pra preparar as guloseimas.
         As mulheres de hoje não toleram calorias a mais, rejeitam tentações, repudiam o leite condensado. Se elas não podem comer, nós devemos acompanhar! por que?   
      Copiado da Zero Hora com pequenas modificações e faltando algumas partes ainda!
Autor: Fabrício Carpinejar e alterado ou modificado por: Edson Frick Lau